Do Requisito à Operação:
O Fluxo Vivo do BIM
BIM não é apenas modelar em 3D. É estruturar requisitos, pessoas, informações, modelos, documentos, custos, cronogramas, contratações, construção e operação em um fluxo contínuo de informação.
Explore os conceitos, profissionais e classificações
O glossário agora possui diferentes camadas de conhecimento.
| NÍVEL | REFERÊNCIA DO NÍVEL DE DETALHAMENTO | QUANDO USAR | EXEMPLO DE APLICAÇÃO |
|---|---|---|---|
| LOD 100 | Representação conceitual / simbólica. | Estudos iniciais, viabilidade e concepção. | Uma parede representada apenas como massa ou elemento conceitual. |
| LOD 200 | Geometria aproximada e elementos genéricos. | Anteprojeto e desenvolvimento inicial. | Parede com espessura aproximada e composição ainda genérica. |
| LOD 300 | Geometria precisa e dimensões reais. | Projeto executivo / documentação técnica. | Parede com espessura, altura e composição definidas. |
| LOD 350 | Elemento + interfaces e condições de conexão. | Coordenação e construção. | Parede representada considerando encontros, interfaces e elementos adjacentes. |
| LOD 400 | Detalhamento necessário para fabricação e montagem. | Fabricação, montagem e execução. | Sistema de drywall com componentes e informações necessárias à montagem. |
| LOD 500 | Representação conforme construído / verificada em campo. | As-built e operação. | Equipamento instalado com dados reais do ativo e identificação para manutenção. |
📚 Normas BIM no Brasil
Entenda como as normas, práticas recomendadas e padrões organizam a informação, os processos e a interoperabilidade no BIM. Este módulo funciona como um mapa interativo da normalização BIM brasileira.
🧩 Norma × Conceito × Ferramenta
| CONCEITO | REFERÊNCIA | APLICAÇÃO |
|---|---|---|
| CDE | ISO 19650 / PR 1015 | Ambiente de informação |
| IFC | NBR ISO 16739-1 | Interoperabilidade |
| Classificação | NBR 15965 | Organização da informação |
| LOIN | ISO 7817-1 | Necessidade de informação |
| BEP | ISO 19650 | Planejamento da informação |
| EIR | ISO 19650 | Requisitos de informação |
🕐 Evolução da normalização BIM
01. Objetivos e Contratação BIM
O contratante define os objetivos estratégicos do empreendimento e quais usos do BIM deverão gerar valor durante o ciclo de vida.
✔ Quantitativos
✔ Planejamento
✔ Controle de custos
✔ Documentação para aprovação
✔ Entrega para operação
02. Requisitos de Informação ()
O contratante define quais informações deverão ser entregues, quando serão entregues, em qual formato e com qual nível de necessidade.
🏷️ Classificações
📐 Geometria
📊 Propriedades
📅 Prazos
📄 Documentação 2D
03. Plano de Execução BIM ()
O BEP transforma os requisitos em um plano operacional: quem faz, como faz, quando entrega, quais padrões utiliza e como a informação será validada.
04. Definição dos Profissionais e Responsabilidades
O projeto define quem modela, quem coordena, quem gerencia, quem aprova e quem utiliza as informações.
05. CDE e Estrutura da Informação ()
O projeto passa a possuir um ambiente estruturado para controlar arquivos, versões, estados e permissões.
06. Entidade IFC + Predefinição de Tipo
Não basta definir que uma parede é IfcWall. O elemento precisa possuir também o tipo adequado da entidade, quando aplicável, além das propriedades necessárias.
07. NBR 15965, SINAPI e Classificação dos Elementos
Além da classificação IFC, os elementos podem precisar receber classificações nacionais e códigos de custo conforme o objetivo do empreendimento.
IFC: IfcWall
Tipo IFC: SOLIDWALL
Material: Bloco cerâmico
NBR 15965: 1E.01.01.01
SINAPI: Código conforme composição/serviço aplicável
08. Gerenciamento dos Dados dos Elementos
O modelo deixa de ser apenas geometria. Cada elemento passa a carregar propriedades, classificações, materiais, códigos, informações de desempenho e dados necessários à entrega.
PredefinedType: SOLIDWALL
Material: Bloco cerâmico
NBR 15965: 1E.01.01.01
Resistência: conforme requisito
Fase: Projeto Executivo
Responsável: Arquitetura
09. IDS e Requisitos Verificáveis ()
Os requisitos deixam de ser apenas textos e passam a poder ser transformados em regras verificáveis.
10. LOIN, LOD e LOI ()
O projeto define qual quantidade de geometria e informação é necessária em cada entrega.
LOD 100 — Massa conceitual
LOI básico — Categoria
11. Modelagem Disciplinar
Arquitetura, estrutura, instalações e demais disciplinas desenvolvem seus modelos de acordo com os requisitos definidos.
12. Desenvolvimento dos Projetos Executivos 2D
O BIM não elimina a necessidade de documentação tradicional. Plantas, cortes, fachadas, detalhes, pranchas e documentos em PDF/CAD continuam fazendo parte do processo.
13. Publicação dos Modelos e Documentos
Os modelos IFC, arquivos nativos quando previstos, documentos CAD/PDF e demais entregáveis são publicados conforme os requisitos do CDE.
📦 EST_Alpha.ifc
📦 MEP_Alpha.ifc
📄 Planta_Alpha.pdf
📐 Planta_Alpha.dwg
📋 Memorial_Alpha.pdf
14. Quantitativos e Análise de Custos
Os elementos classificados e parametrizados podem alimentar processos de levantamento quantitativo e composição de custos.
15. Cronograma e Planejamento 4D ()
Os elementos do modelo são associados ao cronograma, permitindo visualizar quando cada parte do empreendimento será executada.
Estrutura ██████████░░ 82%
Instalações ██████░░░░░░ 50%
Drywall ████░░░░░░░░ 35%
16. Planejamento de Compras e Contratações
A construtora transforma o planejamento em pacotes de contratação: materiais, equipamentos, serviços e subempreitadas.
🧩 Drywall
⚡ Instalações elétricas
💧 Instalações hidráulicas
❄️ HVAC
🚪 Esquadrias
17. Integração das Empreiteiras e Subcontratadas
Uma empreiteira também passa a ser um participante ativo do fluxo BIM. Ela possui prazo, escopo, requisitos, entregas e responsabilidades.
4 pavimentos
de frente
Drywall
dos serviços
18. Validação Individual dos Modelos
Antes da federação, o Coordenador BIM verifica os modelos individualmente: integridade, coordenadas, classificação, propriedades e requisitos.
✔ Coordenadas conferidas
✔ Entidades IFC coerentes
✔ PredefinedType preenchido
✔ Classificações verificadas
✔ IDS validado
✔ LOIN/LOD conforme BEP
19. Federação dos Modelos
Os modelos disciplinares são combinados para permitir a análise integrada do empreendimento.
20. Clash Detection
O modelo federado permite identificar interferências geométricas e problemas de coordenação antes da execução.
21. BCF e Comunicação de Problemas ()
O conflito é transformado em um issue estruturado, com localização, responsável, prioridade, comentário e status.
22. Correção pelo Projetista
O responsável recebe o issue, realiza a alteração no ambiente nativo e gera uma nova versão do modelo.
23. Recoordenação e Novo Ciclo
O novo modelo retorna ao CDE, é novamente validado, federado e testado.
24. Homologação e Aprovação dos Modelos
Com os requisitos atendidos, os modelos e documentos são homologados para a etapa seguinte.
25. Entrega para Construção ()
O Modelo de Informação do Projeto passa a apoiar o planejamento, execução, controle e acompanhamento da construção.
26. Construção, Controle e Atualização
A obra executa os serviços conforme planejamento. Empreiteiras e fornecedores recebem frentes, informações, prazos e requisitos específicos.
🧱 Drywall — Pavimentos 1–4
⚡ Elétrica — Pavimentos 1–2
💧 Hidráulica — Pavimento 1
27. As-Built, AIM e Gestão do Ativo ()
Após a construção, as informações verificadas em campo alimentam o modelo conforme construído e o Modelo de Informação do Ativo utilizado durante a operação.

