Projeto Micro ao Macro BIM com padronização de cores integrada a NBR 15965

No momento em que iniciei meus estudos de BIM, sentia que havia um erro de apresentação do que realmente era um projeto BIM, não era ser só modelo 3D para encantar o cliente, e com o tempo e a maturidade de todos os demais profissionais podemos entender que hoje o modelo tridimensional é um banco de dados visual do projeto, afinal quem aqui consegue repassar para o papel as coordenadas do que você lê no código do arquivo IFC, um eu tenho quase certeza, nosso colega e amigo, Carlos Dias.

Entendo esse ponto, podemos perceber que a modelagem tridimensional é muito importante cada vez mais, e que na gestão de um projeto ela está sendo muito exigida, principalmente entre os Coordenadores BIM. Dentre toda essa reflexão passei a ver que há uma demanda muito grande para esse tema de padronização de cores, durante este artigo você vai entender melhor.

Destaco que estando hoje dentro da Comissão de Estudos BIM da ABNT (CEE-134) e agora também membro da Building SMART Brasil, vi a oportunidade e acolhimento para esse meu projeto ganhar mais corpo e respaldo, e conto com você que está lendo para podermos juntos melhorar ainda mais esse projeto.

Fluxo de Projeto

A implementação de um sistema de padronização de cores no BIM é essencial para otimizar a gestão de projetos de construção. Ao definir e adotar uma paleta de cores consistente, profissionais podem rapidamente distinguir entre os diferentes níveis de detalhamento – Micro, Médio e Macro – melhorando significativamente a eficiência e a precisão do trabalho. Esta prática não só acelera o processo de identificação e análise de informações críticas no modelo, mas também facilita a comunicação entre as equipes, garantindo que todos os envolvidos compreendam as nuances do projeto com clareza.

Além disso, a utilização de cores específicas para categorizar elementos construtivos e áreas distintas dentro do projeto contribui para uma melhor visualização do progresso e identificação de inconsistências. Isso permite que os gestores de projeto detectem padrões, antecipem problemas potenciais e realizem verificações de conformidade de maneira mais eficaz. A codificação de cores serve como uma ferramenta visual poderosa, auxiliando na manutenção do controle de qualidade e na redução de erros que podem surgir durante o ciclo de vida do projeto.

Por fim, a conformidade com as diretrizes estabelecidas pela NBR 15965 reforça a importância da padronização no BIM. Seguir estas normas assegura que a codificação de cores seja aplicada de forma coerente e eficiente, alinhando as práticas de gestão de projetos com os padrões da indústria. A adoção dessas diretrizes não só melhora a interoperabilidade entre as diferentes fases do projeto, mas também estabelece um marco na busca pela excelência em projetos de construção, promovendo uma cultura de precisão e atenção aos detalhes.

  • Comunicação e colaboração aprimoradas: Cores padronizadas garantem uma linguagem comum entre os membros da equipe, reduzindo interpretações erradas e erros.
  • Visualização e identificação aprimoradas do projeto: A codificação por cores dos elementos facilita a rápida identificação e categorização dos componentes do edifício.
  • Gerenciamento de projeto otimizado: As cores auxiliam no rastreamento do progresso, na detecção de conflitos e no controle de qualidade.
  • Conformidade com NBR 15965: A adesão à norma brasileira garante consistência e interoperabilidade.

Micro BIM

No universo da Modelagem de Informação da Construção (BIM), o nível Micro representa uma abordagem meticulosa e detalhada, focando na minúcia de componentes individuais de um projeto. Essa perspectiva permite aos profissionais examinar e projetar cada elemento com precisão, desde a disposição de mobiliário até a seleção de materiais e acabamentos. Ao aplicar uma “lupa” sobre um apartamento específico, por exemplo, é possível analisar as características únicas de cada espaço, como a cozinha ou os quartos, e otimizar o design para atender às necessidades exatas dos futuros moradores.

Além disso, o Micro BIM facilita a personalização de ambientes, permitindo que designers e arquitetos apliquem cores e texturas distintas para realçar áreas molhadas, como banheiros e cozinhas, ou para diferenciar tipos de revestimentos e pisos. Essa granularidade no detalhamento promove uma compreensão mais profunda do projeto, resultando em uma construção mais eficiente e em ambientes mais harmoniosos e funcionais. Ao integrar esses detalhes desde o início do processo de design, o Micro BIM contribui significativamente para a qualidade final da obra e para a satisfação do cliente.

Médio BIM

No nível Médio do Building Information Modeling (BIM), a modelagem da construção ganha uma nova dimensão de detalhamento. A representação digital do edifício agora inclui um pavimento inteiro, permitindo uma visão holística que abarca desde os apartamentos individuais até as áreas de uso comum, como halls de entrada, elevadores e escadas de emergência. Essa abordagem integrada facilita a coordenação entre as diversas disciplinas envolvidas no projeto, como arquitetura, engenharia estrutural e instalações elétricas e hidráulicas. A utilização de um código de cores padronizado é uma prática eficaz para diferenciar e identificar rapidamente os elementos e sistemas do edifício, além de ser uma ferramenta valiosa na detecção precoce de possíveis conflitos ou interferências entre componentes.

A padronização de cores no BIM Médio não apenas melhora a comunicação visual entre os membros da equipe, mas também otimiza o processo de revisão e análise de projetos. Cores distintas podem ser atribuídas a diferentes tipos de apartamentos, destacando variações em layout ou em especificações técnicas, enquanto áreas comuns podem ser codificadas de maneira a refletir sua função ou importância dentro do conjunto da edificação. Essa estratégia contribui para uma gestão mais eficiente do espaço e dos recursos, e auxilia na tomada de decisões relacionadas ao design, à construção e à manutenção do empreendimento imobiliário. Com o BIM Médio, profissionais da construção civil são capazes de antever problemas, economizar tempo e recursos, e alcançar um nível superior de precisão e eficiência na execução de seus projetos.

Macro BIM

No âmbito do Macro BIM, a abordagem é holística, considerando o projeto arquitetônico em sua totalidade. Esta perspectiva ampla é crucial para a integração de todas as fases do desenvolvimento, desde a concepção inicial até a entrega final. A utilização de um modelo BIM em macroescala permite uma análise detalhada de custos, otimizando o orçamento ao identificar áreas de economia potencial. Além disso, a gestão de cronogramas se torna mais eficiente, com a capacidade de prever e ajustar prazos com precisão, garantindo que o projeto avance conforme o planejado.

A codificação de cores no Macro BIM é uma ferramenta visual poderosa que facilita a identificação e distinção entre as diversas zonas de um edifício. Por exemplo, áreas comuns podem ser destacadas em um tom, enquanto áreas privativas podem ser representadas por outra cor, promovendo assim uma compreensão imediata das funções espaciais. Esta estratégia não apenas simplifica a interpretação dos planos por parte das equipes envolvidas, mas também auxilia na coordenação de instalações e na gestão de materiais, assegurando que os recursos sejam alocados de maneira eficaz e que as especificações de design sejam seguidas com rigor.

Por fim, o Macro BIM serve como uma plataforma colaborativa, onde diferentes disciplinas podem convergir e trabalhar em conjunto. Engenheiros, arquitetos, construtores e clientes podem compartilhar informações e tomar decisões informadas, baseadas em um modelo unificado que reflete todas as nuances do projeto. Essa integração resulta em uma comunicação aprimorada, redução de erros e discrepâncias e, consequentemente, uma execução de obra mais fluida e sem contratempos. Com o Macro BIM, o projeto transcende a mera representação gráfica, tornando-se uma ferramenta dinâmica para a gestão eficiente de construções complexas.

Conversão de Cores no IFC

No universo da modelagem de informações da construção (BIM), a precisão na representação das cores é crucial para a integridade visual dos projetos. No formato IFC, padrão ISO para a interoperabilidade de dados na indústria da construção, as cores são definidas pelo IfcColourRGB. Este sistema descreve as cores utilizando três componentes: vermelho, verde e azul (RGB), com valores que variam de 0 a 1. Esta escala fracionária permite uma representação mais precisa das cores, pois cada valor é um ponto flutuante que pode representar uma ampla gama de tonalidades.

A conversão desses valores fracionários para o modelo RGB convencional, que utiliza uma escala de 0 a 255, é um processo essencial quando se trabalha com softwares BIM que não adotam o padrão IFC nativamente. A correspondência entre os dois sistemas é feita através de uma simples multiplicação por 255. Assim, um valor IfcColourRGB de (0.5, 0.5, 0.5) se transforma em (127.5, 127.5, 127.5) no modelo RGB. Contudo, como os valores RGB convencionais são inteiros, é necessário arredondar os resultados para o inteiro mais próximo, garantindo assim a fidelidade visual das cores após a conversão.

Além disso, é importante notar que a conversão de cores no IFC não se limita apenas à correspondência numérica. É fundamental considerar o contexto em que as cores são aplicadas, como a iluminação e as texturas dos materiais, que podem influenciar na percepção das cores no ambiente virtual. Portanto, ao realizar a conversão de cores para a importação ou exportação de arquivos IFC, deve-se realizar testes e ajustes finos para assegurar que as cores se mantenham consistentes e verdadeiras ao design original, mantendo a integridade estética e funcional do projeto BIM.

Integração com a NBR 15965

A integração da NBR 15965 com os processos de construção no Brasil representa um avanço significativo na padronização e na qualidade das obras. Esta norma técnica, que adapta o sistema OmniClass™ para a realidade brasileira, oferece uma estrutura organizada para a classificação de informações de construção. Com suas 13 tabelas, a NBR 15965 abrange uma ampla gama de elementos construtivos, desde a terminologia básica até as especificações técnicas mais complexas.

A adoção da NBR 15965 por profissionais e empresas do setor é um passo crucial para a integração efetiva da norma. Isso envolve a compreensão e aplicação dos códigos de classificação e termos padronizados em todas as fases do projeto, da concepção à execução. A uniformidade na comunicação proporcionada pela norma facilita a colaboração entre diferentes equipes, melhora a gestão de projetos e contribui para a redução de erros e retrabalhos.

Além disso, a integração da NBR 15965 com softwares de modelagem da informação da construção (BIM) potencializa seus benefícios. O uso de BIM em conjunto com a norma permite uma visualização tridimensional dos projetos, onde cada componente pode ser identificado e classificado conforme a NBR 15965. Isso não só melhora a precisão dos modelos, mas também otimiza o compartilhamento de informações e a interoperabilidade entre diferentes sistemas e plataformas.

Por fim, a educação e o treinamento contínuo dos profissionais são fundamentais para a plena integração da NBR 15965. Workshops, cursos e materiais de referência devem ser disponibilizados para garantir que todos os envolvidos na construção estejam aptos a utilizar a norma corretamente. A longo prazo, a integração da NBR 15965 promete elevar o padrão de construção no Brasil, assegurando maior eficiência, sustentabilidade e conformidade com as melhores práticas internacionais.

Importância e Efeitos Práticos da Norma BIM

A importância da norma BIM no setor da construção civil é incontestável. Ela representa um avanço significativo na forma como os projetos são concebidos, desenvolvidos e gerenciados, promovendo uma integração eficiente entre todos os envolvidos. A padronização que a norma BIM traz para o setor não apenas facilita a colaboração e a comunicação entre as partes, mas também garante que todos estejam alinhados com as melhores práticas e tecnologias disponíveis.

Os efeitos práticos da implementação da norma BIM são vastos e impactam diretamente na qualidade e na velocidade de execução dos projetos. Com a utilização do BIM, é possível realizar simulações precisas, análises de custo-benefício e revisões de projeto em tempo real, o que reduz significativamente os erros e o desperdício de materiais. Além disso, a norma facilita a manutenção e a gestão de edifícios após a sua construção, oferecendo uma visão detalhada de todas as suas características e componentes.

A NBR 15965 é um marco na regulamentação do uso do BIM no Brasil, estabelecendo diretrizes claras para a sua adoção em projetos de construção civil. Esta norma, juntamente com outras regulamentações, cria um ambiente propício para que o uso do BIM se torne uma prática comum e amplamente aceita. Isso não apenas eleva o padrão de qualidade dos projetos, mas também coloca o Brasil em um patamar competitivo no cenário internacional da construção civil.

Por fim, a norma BIM tem um papel crucial na transformação digital do setor da construção civil. Ela incentiva a inovação e a adoção de novas tecnologias, o que é essencial para enfrentar os desafios contemporâneos da urbanização e sustentabilidade. Com a norma BIM, o setor da construção civil brasileiro está bem posicionado para liderar uma nova era de eficiência, precisão e responsabilidade ambiental nos projetos de edificação.

Conclusão

A implementação do BIM (Building Information Modeling) de Micro a Macro, com ênfase na padronização de cores conforme a NBR 15965, representa um avanço significativo na indústria da construção civil. A padronização não apenas facilita a identificação e o gerenciamento dos componentes do projeto, mas também assegura a consistência e a qualidade das informações compartilhadas entre os profissionais envolvidos. Ao adotar uma paleta de cores padronizada, cada elemento do modelo BIM pode ser rapidamente reconhecido e associado à sua função específica, o que é crucial para a manutenção e operações futuras do edifício.

Além disso, a integração da NBR 15965 ao processo BIM permite uma categorização eficiente dos elementos de construção, promovendo uma linguagem comum entre os diferentes softwares utilizados pelas equipes de projeto. Isso resulta em uma melhor coordenação e colaboração, reduzindo erros e discrepâncias que podem surgir durante as fases de projeto e construção. A norma brasileira oferece diretrizes claras para a classificação dos elementos de construção, o que, quando combinado com a padronização de cores, proporciona uma interpretação mais intuitiva e uma comunicação mais eficaz.

Por fim, a utilização de ferramentas avançadas ampliam as possibilidades de visualização e análise dos modelos BIM. Essas plataformas permitem não apenas a visualização tridimensional dos projetos, mas também a integração de dados em tempo real, o que otimiza a tomada de decisões e o gerenciamento de recursos. A padronização de cores integrada à NBR 15965, portanto, não é apenas uma questão de conformidade, mas uma estratégia que potencializa a eficácia do BIM, desde o detalhamento micro até a visão macro dos projetos de construção.

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Por Pedro Henrique

Atuo como Mentor de Implantação BIM apaixonado por disseminar o conhecimento e impulsionar a indústria da construção civil rumo ao futuro. Fundei a HR Compacta, uma empresa que oferece mentoria, cursos e palestras especializadas no uso de softwares livres, como o FreeCAD, dentro da metodologia BIM. Minha formação abrange Gestão Empresarial, Edificações, Programação e Transação Imobiliária, e sou membro da Comissão de Estudo Especial de BIM da ABNT - CEE_134.

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